Talvez eu devesse parar de me apaixonar por homens fictícios questionáveis
Existe um momento específico em praticamente toda leitura em que eu percebo que estou começando a gostar de um personagem que, se existisse na vida real, provavelmente me faria atravessar a rua. E o pior é que eu quase nunca percebo no começo. Primeiro ele aparece: misterioso, arrogante e talvez até um pouco mal-educado. Tem algum trauma convenientemente escondido no passado e aquela expressão de quem está carregando o peso de pelo menos três gerações da família nas costas. Eu penso: “nossa, que homem insuportável.” Alguns capítulos depois: “ok, mas ele tem um lado sensível.” Mais alguns: “ele só precisa de alguém que o compreenda.” E, quando percebo, estou completamente investida emocionalmente em um homem fictício que provavelmente deveria estar fazendo terapia em vez de se envolver romanticamente com a protagonista. É impressionante como a literatura consegue transformar sinais de alerta em características extremamente atraentes. Na vida real, controle excessivo? ...