A Hipótese do Amor: um namoro falso, dois desastres sociais e uma ótima adaptação

Eu assisti A Hipótese do Amor.
E olha, eu estava preparada para gostar, mas acho que não estava preparada para gostar tanto.
A adaptação do livro da Ali Hazelwood chegou ontem ao Prime Video e, para a minha felicidade, é exatamente o tipo de filme que eu queria que fosse: muito fiel ao livro, engraçadinho, fofo, com romance, constrangimento social e duas pessoas completamente incapazes de agir normalmente uma perto da outra.
Ou seja: uma comédia romântica.
A fórmula está toda ali.
Tem namoro falso, tem a possibilidade constante de tudo dar errado, tem amizades incríveis, tem ciência, tem aquela tensão de “eles obviamente gostam um do outro, mas aparentemente serão os últimos seres humanos da Terra a perceber isso” e tem uma coisa que, sinceramente, representa muito bem a essência de A Hipótese do Amor: uma geladeira Electrolux de duas portas enorme indo atrás do cara que disse para ela que ela teria que transar com ele se quisesse usar o laboratório.
Sim, eu precisava ver isso em movimento – e valeu a pena.
Olive é uma graça
Eu nunca assisti Riverdale e nem nunca acompanhei nada da Lili Reinhart, então fui para o filme sem aquela relação prévia com a atriz que muita gente provavelmente tem. E eu gostei muito dela como Olive.
Ela tem aquele jeito meio desajeitado, meio acelerado, meio “eu vou fingir que estou perfeitamente normal enquanto claramente não estou” que combina demais com a personagem.
E teve uma coisa que me pegou de surpresa: em alguns momentos, ela me lembrou um pouco a Ariana Grande.
Não necessariamente porque elas sejam iguais, mas por alguns tiques, expressões e jeitinhos de interpretar determinadas situações – e, considerando que eu amo a Ariana, isso só fez eu gostar ainda mais da Olive.
Também teve outra coisa curiosa: em alguns momentos, ela me lembrou uma amiga minha que eu não vejo nem falo há bastante tempo.
Não sei exatamente explicar o porquê. Talvez seja o jeito, talvez sejam algumas expressões, talvez seja simplesmente o cérebro fazendo aquelas associações aleatórias que ele adora fazer... mas aconteceu e agora eu tenho uma camada extra de nostalgia no meio de uma comédia romântica sobre dois cientistas.
Normal.
E então temos Adam.
O nome dele é Tom Bateman.
Eu descobri isso porque, honestamente, durante boa parte do filme ele era simplesmente: o homem é enorme.
Porque, meu Deus, ele é lindo E enorme.
E existe uma cena em que ele sai correndo atrás do suposto “amigo” dele para proteger a Olive que me deixou em um estado emocional muito específico.
Era uma mistura de: “Meu Deus, que homem.” com “Meu Deus, ele vai matar esse cara.”
Porque ele corre como um boi bravo.
Um boi bravo muito bonito, mas ainda assim...
E eu acho que isso resume bastante bem a experiência de assistir Adam Carlsen ganhar vida.
Ele consegue ser intimidador, rabugento, completamente sem noção social e, ao mesmo tempo, muito fofo quando a gente percebe o quanto ele realmente se importa com a Olive.
A dinâmica dos dois funciona e funciona justamente porque os dois são meio estranhos.
Eles não são aquele casal que entra em uma sala e imediatamente sabe o que dizer, como agir e como flertar, muito pelo contrário: eles parecem duas pessoas que receberam um manual de comportamento social e perderam a página sobre relacionamentos.
E eu adoro isso.
A história continua tendo a fórmula perfeita
Uma das coisas que mais gostei foi perceber que A Hipótese do Amor não precisa inventar uma fórmula nova para funcionar.
Ela pega algumas das coisas mais clássicas de uma comédia romântica e faz tudo funcionar juntas.
- Um namoro falso? Tem.
- A possibilidade de dar tudo errado? Tem.
- Melhores amigos que você quer roubar para a sua própria vida? Tem.
- Um mocinho aparentemente impossível de decifrar? Tem.
- Uma protagonista que passa boa parte da história tentando convencer a si mesma de que está tudo sob controle? Tem também.
E, claro, um romance que começa como uma mentira e fica cada vez mais difícil de continuar tratando como mentira.
A gente sabe onde isso vai dar, mas não importa. É justamente esse o ponto.
Às vezes eu não quero ser surpreendida. Às vezes eu quero sentar no sofá, abrir um romance e pensar: eu sei exatamente o que vai acontecer e estou aqui justamente para isso.
Podiam ter se estendido um pouquinho no hot?
Podiam.
Né?
Porque também não ia matar ninguém.
😂
Mas eu entendo.
A Hipótese do Amor não é sobre isso.
Quer dizer, é sobre isso para uma parcela muito específica das leitoras – e eu me incluo nessa parcela porque não sou de ferro –, mas a história nunca foi construída em torno da cena hot.
O foco é o romance, a relação dos dois, a amizade da Olive, da Anh e do Malcolm, a vida acadêmica e a Olive tentando descobrir o que quer e Adam tentando, pela primeira vez em muito tempo, deixar alguém entrar na vida dele.
Então eu aceito.
Mas fica aqui registrado que nós leitoras sabemos que havia espaço para mais uns minutinhos.
Só dizendo. 💅
A Hipótese do Amor não é exatamente uma grande história de amor
E acho que essa é uma das coisas mais interessantes sobre o livro e sobre o filme.
A Hipótese do Amor não é, necessariamente, uma grande história de amor.
Não é uma história épica ou aquele romance que vai mudar a literatura mundial.
É uma história com uma fórmula bastante conhecida: duas pessoas que começam fingindo um relacionamento, se aproximam, desenvolvem sentimentos e precisam descobrir o que fazer com eles.
Só que ela tem todos os ingredientes certos para fazer essa fórmula funcionar.
Tem personagens carismáticos, química, humor, amizades que importam, conflito o suficiente para manter a história andando, cenas que ficam na cabeça e tem aquele tipo de protagonista que faz você querer acompanhar a vida dela por mais algumas horas.
Talvez seja justamente por isso que tenha cativado tantos leitores.
Não porque tenha reinventado o romance, mas porque pegou coisas que a gente já conhece e fez uma combinação muito gostosa com elas.
E o filme?
É uma graça.
Sério.
Para quem leu o livro, é uma delícia ver aquelas cenas saindo da nossa cabeça e ganhando uma versão real.
E, para mim, o mais gostoso foi justamente assistir à relação dos dois funcionando na tela.
Olive e Adam são duas pessoas socialmente desajeitadas em níveis diferentes, que acabam tendo que se apoiar uma na outra simplesmente porque, em algum momento, parece ser a opção mais fácil.
E é aí que a coisa fica boa.
Porque eles começam com um acordo, depois vem a convivência, depois a amizade, depois a atração... E, quando você percebe, já está torcendo por duas pessoas que provavelmente precisariam de umas cinco sessões de terapia e uma conversa honesta para resolver tudo.
Mas, felizmente, estamos em uma comédia romântica, então podemos simplesmente sentar e assistir – e foi exatamente o que eu fiz.
Comemorando meu aniversário de casamento de três anos com meu marido gostando do filme e um sorriso idiota no rosto.
A Hipótese do Amor é uma delícia de assistir. 🩷
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